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O setor químico do Brasil pode cair mais ainda


O déficit comercial do setor químico deve continuar crescendo durante o próximo ano, prevê o presidente do conselho da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Bernardo Gradin.

Sua projeção baseia-se na questão cambial, já que o executivo não vê mudanças estruturais na política econômica que levem a uma situação mais favorável para o atual cenário de sobrevalorização do real. Ele destacou que a balança comercial está cada vez mais vulnerável a mudanças dos preços das commodities.

Para este ano, a expectativa da instituição é de que a balança comercial do setor acumule um déficit de US$ 20,6 bilhões, superior ao resultado negativo de US$ 15,7 bilhões apurados em 2009.

“O Brasil vive uma situação de déficit crescente, e isso não combina com um país emergente”, avaliou Gradin, que deixou recentemente a presidência da Braskem, sendo substituído por Carlos Fadigas, até então responsável pela Braskem Americas.

A previsão da entidade é também de um aumento no consumo dos produtos da indústria química brasileira, que, por sua vez, será sustentado pelas importações. “Estamos vendo nossa economia se tornar baseada em commodities, enquanto os manufaturados estão vindo da China e dos Estados Unidos”, lamentou. “O consumo brasileiro está gerando empregos e impostos em outro país, que não é o nosso.”

Durante evento anual do setor, ele fez críticas à falta de estímulos ao investimento na indústria brasileira, que desencorajam os estrangeiros a aportar recursos no Brasil, dando preferência a outros países. Ele destacou que, com menos investimentos à indústria, no futuro o Brasil corre o risco da formação de uma bolha, comparada com a situação vivenciada em 2008 pelo setor financeiro americano.

“Assim como eles, temos uma economia endividada, com um PIB (Produto Interno Bruto) crescendo com base no gasto público e consumo alavancado baseado em crédito”, comparou. Ele avalia que, se faltar investimentos na base que sustenta esse crescimento, em um momento de turbulência, a economia pode entrar em crise.

“Ou entramos em uma agenda de ação para atrair investimento direto ou corremos o risco de desabastecimento da indústria de base”, alertou Gradin, que considera que será “lastimável” se o próximo governo não tomar medidas para acelerar projetos de desenvolvimento para o setor industrial. “Estamos num momento crucial, se não for agora, podemos perder o bonde.”

Estudos da Abiquim mostram que a indústria química tem necessidade de investimento de US$ 138 bilhões nos próximos dez anos para acompanhar um crescimento de 4% do PIB brasileiro. Para se ter uma ideia, para 2011, os projetos de investimento ainda são da ordem de US$ 4,7 bilhões.

Gradin se disse angustiado sobre o atraso do país no que diz respeito à situação tributária e logística. Ele cita o caso de uma empresa de desenvolvimento americana que negociava com a Braskem um projeto de produção química com base no etanol. O executivo conta que a companhia preferiu levar amostras de terra do cerrado brasileiro para os Estados Unidos e desenvolver o projeto lá por medo da carga tributária.

“Agora é hora da ação, estamos num momento crucial, disse o executivo sobre o próximo ano, em que Dilma Rousseff assumirá a Presidência. Até agora, o “Pacto Nacional da Indústria Química”, apresentado pelo setor ao governo em junho deste ano, não resultou em nenhuma solução concreta para os problemas enfrentados pela indústria química.

A principal queixa é o fator tributário, que prejudica a indústria química principalmente pela dependência direta do setor por matérias-primas extremamente competitiva. As principais são o petróleo e o gás. Além da desoneração da cadeia produtiva, outros pontos abordados no pacto são investimentos na infraestrutura logística para distribuição de gás e energia, aprimoramento das soluções modais, e apoio do Estado no desenvolvimento tecnológico.

Embora não tenha definido as próximas medidas a serem tomadas para o alcance das metas propostas no pacto, Gradin disse que o setor está disposto a se comprometer detalhando mais as contrapartidas geradas das mudanças sugeridas no documento.

Fonte: ValorOnline

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